Raríssimas? Nada de Raro. Tudo normal.

Foi com moderada indignação que recebi a notícia que envolve a Raríssimas. Não me surpreende, e pelo contrário até suspeito que, infelizmente, seja uma prática comum no seio das associações.
Vivemos um período de cargos, estatutos e lugares. Ser presidente de alguma coisa é meio caminho para usufruir de cartão de crédito, viatura oficial e despesas de representação.
A generosidade dos portugueses esbarra frequentemente na ingratidão de alguns. Os números 707 multiplicam-se garantindo apoio às vítimas, e ao valor acrescentado surge sempre associado o IVA. Ora se o IVA é imposto ao consumo será que alguém justifica porque é aplicado às doações de solidariedade?

Mas voltando às Associações.

Os movimentos de associativismo são fundamentais na sociedade e responsáveis pela defesa de múltiplos interesses. Motores da voz popular e representações importantes junto da tutela. Há associações honestas, com gente leal e interessada no bem comum. Mas também existem associações que são micro-universos de influências, antecâmaras de “lobis” e embriões de poder. Em casos mais flagrantes escolas de corrupção.
Ninguém entra na alta esfera da política sem antes passar pela gestão de uma associação, fundação ou instituto.
A associação, como tantas outras ideias sociais, é fundamental mas deve servir a população, ser gerida em benefício da própria e não ser usada como instrumento de ascensão pessoal.
Não vamos agora desatar a fiscalizar todas as associações, mas há umas que merecem mais atenção que outras nomeadamente aquelas que recebem dinheiro dos contribuintes.
Por tudo isto a Rarissimas, infelizmente para aqueles que dependem dela, não é caso raro no panorama Nacional.

Tristão de Andrade

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