Inundação

Está a chover o que não é nada de novo. Chove torrencialmente e isso é normal. O país vai ficar inundado; já está confirmado.

Dizem os antigos que a chuva lava a alma e a rua, e que as suas águas servem para encher rios e depósitos. Que seria feito de nós sem esse bem maravilhoso que cai do céu? É importante sentirmos a natureza beijar as nossas cabeças em modos de fúria maternal, pois só assim regressamos à nossa condição de humildes habitantes deste planeta. Existe em cada chuvada, intempere ou aguaceiros um tanto de poesia; uma verdadeira oportunidade para recomeçar e desvendar novas indicações para o caminho. Depois da tempestade eis que surge lá longe a bonança. É imperioso  lavar o rosto nas águas que tombam e erguer as vontades para afastar as nuvens. Olha a rua e deixa a chuva cair, não te incomodes, ela precisa de acontecer; leva os teus pensamentos até àqueles que sofrem das cheias, das correntes fortes que se formam à sua porta e presta ajuda a quem precisa. Dá o teu braço para limpar os lares que se inundam, e o teu abraço aos corações que se afogam.

Entre o início deste texto e o seu fim é muito provável que terras se tenham deslocado, lágrimas começado a cair e outras tantas preocupações chegaram com as águas.

Vou agora à rua olhar a estrada, e ver se alguém precisa da minha ajuda, afinal o país está a ficar inundado e haverá com certeza muitos corações a boiar.

 

Tristão de Andrade

Domingo à noite

As noites de domingo são sempre especiais. Conseguem e possuem um poder único que convida à reflexão. Uns servem-se dela para lamentarem o final do fim‑de‑semana, outros choram a partida das horas vagas mas há também quem suspire de alívio por faltar pouco tempo para partir.

Se formos gente de coragem, de grande coragem – diga-se – lá nos sentamos à frente da televisão. Vendemos a nossa alma ao diabo e consumimos os programas da atualidade. Olhamos as imagens, ouvimos as barbaridades, pensamos na vida, e no final da noite desligamos o aparelho com a perfeita sensação de perda de tempo. Talvez na verdade sejamos apenas audiência de publicidade. As novas gerações crescem entre programas de tv, comunidades virtuais e fast-food. Andamos desnorteados, sem rumo mas sobretudo desorganizados nas emoções. Preferimos olhar e criticar os nossos pares a apoiarmos quem sofre. Há gente que morre ao nosso lado e cujo doenças tem nome e cura, e ainda assim a nossa reação é virar a cara. É fácil apontar, escrever, reclamar e na hora da verdade não fazer nada. Todos somos um pouco assim: senhores da sabedoria teórica incapazes de agir. Mas talvez seja essa a verdadeira justificação da noite de Domingo; para pensarmos e reflectirmos, para ganharmos consciência que algo está mal no mundo. Provavelmente por agora não se tome uma atitude e tudo continue na mesma, mas pensar e raciocinar já é um começo, já é um princípio; e talvez seja exatamente por isso que o Domingo à noite se transforma em momento perfeito para a reflexão.

Tristão de Andrade

Pensar a escrita

Não há tempo, não há hora ou momentos para escrever.  Afinal quando é a melhor altura para o exercício da escrita? Quando chega a inspiração? As revelações? As vozes? Os discursos que se constroem? Em cada um de nós há um verdadeiro poeta, um sábio da vida com a necessidade de relatar as experiências. Talvez isso faça de nós verdadeiros escritores e relatores da realidade. Desejamos oferecer obra ao futuro e sonhamos deixar marcas da nossa passagem. Uns conseguem com poucas palavras dizer muito, e outros precisam de tanto para não conseguirem dizer nada, mas cada um tem o seu estilo, a sua forma e o seu jeito. Qual de nós é melhor? Não interessa a pergunta. Importante é aquilo que escrevemos; e mais importante ainda é não julgarmos aquilo que os outros escrevem. Em cada linha um pensamento, em cada palavra um sentimento mas num texto sempre um pouco de nós.

 

Tristão de Andrade

 

Hoje nasceu o Discurso.PT

Na verdade o blog já existe há algum tempo mas o mesmo tempo não me tem permitido escrever nestas páginas. A minha atenção tem sido virada para a publicação no Facebook. Mas agora esta é também a minha nova forma de comunicar, escrever e partilhar.

Aqui ou lá – FB – https://www.facebook.com/TristaoDeAndrade – quero e vou estar sempre em contato com quem me lê, e com quem deseja partilhar comigo momentos e sentimentos.

Este será um espaço mais abrangente, com novas vertentes e dinâmicas, com novos conteúdos e participações, com imagens, fotos, desenhos, música e tudo aquilo que for possível partilhar.

Quero escrever para merecer a visita.

Até já: aqui ou lá.

Tristão de Andrade

Alvorada

Vamos começar assim? Devagar, calmamente e devagarinho. Vamos dar as mãos, cruzar os olhares e rumar a uma descoberta. Vamos deixar a porta aberta para quem quer entrar. Este será o nosso canto mas também poderá ser o mundo de outros tantos. Vamos alimentar quem tem fome, escutar quem precisa de ser ouvido e ajudar quem está perdido. A nossa localização é sempre ao lado de alguém e só assim seremos achados. Vamos falar em poesia, de poesia, misturar com filosofia e por fim adicionar amor. Vamos fazer algo diferente. Vamos escrever como quem sente que a vida só tem um rumo: a felicidade.

Tristão de Andrade

Sem edição

Vou escrevendo por aqui as coisas que ainda poucos sabem, aproveito para esbanjar o resto de energia que tenho e as ideias que flutuam. Não me interessa falar muito de mim, não tenho vontade de revelar os segredos das minhas contas, prefiro olhar para o mundo que me rodeia, esse sim é interessante, e esse sim é o meu espelho. Aquilo que se passa na minha rua acabará por acontecer no meio da minha sala. Não importa dizer que as portas de casa estão fechadas às influências, porque mais cedo ou mais tarde tudo entra nem que seja pela janela. Assim, prefiro jogar na antecipação e ir já olhando para o final da rua na tentativa de prever o que vai afetar o meu lar. Se há crise na rua não pode haver fartura em casa. Como posso sorrir dentro das minhas portas se na vizinhança há quem grite de fome? Até posso pintar as paredes de mil cores coloridas. Esta é a minha visão, esta é a minha janela. Sento-me na beirinha da lua para poder ver o mundo em que vivemos.

Tristão de Andrade

 

Política sem segredo

Há coisas que só conseguimos entender se usarmos a nossa capacidade patética de ver o mundo.

Passamos horas, dias, meses e anos a ouvir notícias políticas, a tentar compreender as mensagens que nos fazem chegar mas sobretudo à procura de respostas para os nossos problemas, sérios, na tentativa de melhorar o nosso dia-a-dia. Isto faz parte da civilização atual, é uma área da nossa realidade e contra tal não podemos lutar. No entanto somos obrigados a levantar a voz contra quem nos encosta à parede. Tenho visto com alguma frequência a nossa classe política encher o peito de razão e atirar pedras ao colega do lado, apontar o dedo e fugir sem querer casar com a responsabilidade e até mesmo hoje mentir e amanhã recorrer ao uso do maravilhoso português para dizer que nada mais fez senão recusar o uso da verdade. Ministros que nos fazem perder milhões em poucas horas de crise, e mais tarde acusam os outros por fazerem perder mais milhões, presidentes que saltam entre camaras na tentativa ridícula de nos fazer acreditar no seu espírito absurdo de missão social.

Não preciso de me empoleirar para ver ainda mais longe, como é possível nos dias que correm, onde tudo já passa pelo fantástico serviço informático, ainda não ser possível o voto informático? Será que existe algum medo, receio, da verdade que se esconde na privacidade de cada lar?

E os homenzinhos que seguem as figuras da política? Os pobrezinhos que aparecem lá atrás nas camaras de TV a segurar a bandeira? Parecem parasitas à espera da queda das migalhas. Isto é a máquina da política que andas atrás daqueles seres que fazem sorrisos na hora de falar. Será que ainda ninguém se aborreceu do padrão dos candidatos? Quando ainda não estão devidamente acomodados nos círculos do poder são todos sorrisos, e têm todo o tempo do mundo para ouvir e compreender, a partir do momento em que ganham o voto deixam o sorriso em casa, deitam a paciência fora e só gritam:” Deixe-me trabalhar”.

Eu sei que andamos todos saturados disto, e eles? Será que ainda não se aperceberam que acabou? Que a população já está cansada, que está pronta para reagir mas só ainda não sabe como.