Sem edição

Vou escrevendo por aqui as coisas que ainda poucos sabem, aproveito para esbanjar o resto de energia que tenho e as ideias que flutuam. Não me interessa falar muito de mim, não tenho vontade de revelar os segredos das minhas contas, prefiro olhar para o mundo que me rodeia, esse sim é interessante, e esse sim é o meu espelho. Aquilo que se passa na minha rua acabará por acontecer no meio da minha sala. Não importa dizer que as portas de casa estão fechadas às influências, porque mais cedo ou mais tarde tudo entra nem que seja pela janela. Assim, prefiro jogar na antecipação e ir já olhando para o final da rua na tentativa de prever o que vai afetar o meu lar. Se há crise na rua não pode haver fartura em casa. Como posso sorrir dentro das minhas portas se na vizinhança há quem grite de fome? Até posso pintar as paredes de mil cores coloridas. Esta é a minha visão, esta é a minha janela. Sento-me na beirinha da lua para poder ver o mundo em que vivemos.

Tristão de Andrade

 

Política sem segredo

Há coisas que só conseguimos entender se usarmos a nossa capacidade patética de ver o mundo.

Passamos horas, dias, meses e anos a ouvir notícias políticas, a tentar compreender as mensagens que nos fazem chegar mas sobretudo à procura de respostas para os nossos problemas, sérios, na tentativa de melhorar o nosso dia-a-dia. Isto faz parte da civilização atual, é uma área da nossa realidade e contra tal não podemos lutar. No entanto somos obrigados a levantar a voz contra quem nos encosta à parede. Tenho visto com alguma frequência a nossa classe política encher o peito de razão e atirar pedras ao colega do lado, apontar o dedo e fugir sem querer casar com a responsabilidade e até mesmo hoje mentir e amanhã recorrer ao uso do maravilhoso português para dizer que nada mais fez senão recusar o uso da verdade. Ministros que nos fazem perder milhões em poucas horas de crise, e mais tarde acusam os outros por fazerem perder mais milhões, presidentes que saltam entre camaras na tentativa ridícula de nos fazer acreditar no seu espírito absurdo de missão social.

Não preciso de me empoleirar para ver ainda mais longe, como é possível nos dias que correm, onde tudo já passa pelo fantástico serviço informático, ainda não ser possível o voto informático? Será que existe algum medo, receio, da verdade que se esconde na privacidade de cada lar?

E os homenzinhos que seguem as figuras da política? Os pobrezinhos que aparecem lá atrás nas camaras de TV a segurar a bandeira? Parecem parasitas à espera da queda das migalhas. Isto é a máquina da política que andas atrás daqueles seres que fazem sorrisos na hora de falar. Será que ainda ninguém se aborreceu do padrão dos candidatos? Quando ainda não estão devidamente acomodados nos círculos do poder são todos sorrisos, e têm todo o tempo do mundo para ouvir e compreender, a partir do momento em que ganham o voto deixam o sorriso em casa, deitam a paciência fora e só gritam:” Deixe-me trabalhar”.

Eu sei que andamos todos saturados disto, e eles? Será que ainda não se aperceberam que acabou? Que a população já está cansada, que está pronta para reagir mas só ainda não sabe como.

Rascunho à morte!

Um dia morres e descobres que todos te amam, que te choraram, que lamentam a tua partida, que anunciam saudades tuas, que lhes fazes falta, que reclamam as tuas qualidades, os teus defeitos, a tua bondade, a tua teimosia e até o teu mau feitio. Eu queria morrer para fazer nascer esses sentimentos e depois voltar. Como seria? Até parece que já estou a ver as carpideiras malucas morderem a língua de arrependimento pelas lágrimas desperdiçadas.
Isto só me conduz a acreditar que gostamos quando não temos, que desejamos quando nos é vedado mas sobretudo que sofremos no exato momento em que conhecemos a nossa fraqueza e impotência perante algo tão maior que dá o nome de vida. Seria fácil encarar o tema pela perspetiva da hipocrisia, onde o ser humano é reduzido ao papel de bebé chorão e a falso moralista que derrama as suas lágrimas secas em leitos de cadáveres aos quais apenas cobiça a herança.
Afinal a morte está certa! Porquê voltar? Se morreu, morreu e partiu. De que serve o regresso para encarar tristeza tamanha? Antes deixar este mundo com ideia nenhuma e esperança de destino diferente, a regressar para encarar as fraquezas de quem nos chora, os quais só o fazem porque sentem dentro de si mesmo a impotência e não a saudade pura. Mais um argumento para acusar o pobre humano de egoísmo.
Em vida somos acusados de tudo, apontados pelo mais pequeno erro, condenados à morte pelos nossos defeitos. Vivemos com a cabeça nessa guilhotina virtual.
Na morte somos lembrados, vemos a nossa imagem edificada ao estatuto do divino mas sobretudo somos perdoados.
A questão que levanto é tão simples: não será melhor estar morto?

Portugal inteiro

O nosso querido e amado país divide-se de forma carinhosa em regiões que reclamam singularidade soberana e independência cultural. Desde o Minho ao Algarve é fácil perceber a necessidade de auto-afirmação de cada região em luta permanente para captar todo e qualquer turista distraído. Esta concorrência saudável faz crescer um país avido de esperança e emprego, carente de futuro e crente nas suas gentes. Cada indivíduo por si só luta e trabalha diariamente para carregar aos ombros um bocadinho desta terra a que chamamos Portugal. Até aqui tudo se encaixa e justifica a dureza dos nossos dias, compreendemos que vivemos num mundo cada vez mais exigente e competitivo, e não podemos camuflar que a entrada dos Impérios do BRIC no mercado mundial vão definitivamente agitar os equilíbrios económicos até aqui conseguidos. É justo, era expectável na medida em que vivemos num mundo cada vez mais livre e concorrencial. Resta agora analisar se esta nova ordem respeita o processo evolutivo das necessidades da sociedade, isto é, a abertura do mundo a novos mundos só se poderá realizar com a garantia de que aquilo que era velho não será transposto para a nova realidade, ou seja, a continuidade da divisão social Ricos contra Pobres.
No meu entender o crescimento da classe média, que veio em muito promover a paz social, depressa se transformou em pilar de crescimento, garantindo uma qualidade de vida razoável e serena a uma grande faixa da população. É líquido que em tempos de crise são eles, classe média, a suportar a fatura, desde logo despromovendo uma quantidade significativa de membros para a qualidade de classe baixa. Aqui surge a problemática, o aumento significativo de seres humanos a viver em condições deficientes e com altos índices de carência e o surgimento de novas riquezas concentradas nas mãos de apenas alguns.
Portugal é fértil nestes desequilíbrios. Com uma população onde a taxa de alfabetização ronda os 95% é no mínimo estranho existir esta permissão. Isto leva-nos a questionar a qualidade da alfabetização. Em qualquer país onde o ensino é reconhecido será difícil encontrar esta disparidade social e económica apenas comparável a países terceiro mundistas ou em vias de desenvolvimento. Surge assim uma nova espécie de perigosos indivíduos os “que sabem ler, mas não sabem o que ler”, e porquê perigosos? Porque servem-se da formação que têm apenas para ler as placas que lhes mostram, e seguem fielmente os bilhetinhos deixados por seus mestres. Forma um exército de elite ao serviço dos interesses superiores.
Li, algures, que no antigo regime havia a ideia de manter o povo ignorante e analfabeto como forma de o controlar, e hoje reconheço uma capacidade maior da mão invisível que nos comanda, ensinar a população a ler para mais tarde a controlar pelo que lê.
Esta sequência de ações conduzem irremediavelmente à promoção da lei social que alguns insistem em fazer perdurar no tempo, a cadeia de comando, a hierarquia, o posicionamento de poucos no topo da pirâmide sentados no dorso dos “índios”. E nisto Portugal é exímio, conduz o seu povo a ler o que não presta, a ver os programas televisivos ridículos, a transformar a posse de um smartphone como bem de primeira necessidade… enfim… um país que sabe ler, mas não sabe o que lê, que conhece o abecedário mas não reconhece o ideal, que se autoproclama evoluído mas na verdade não sabe ler a palavra Cultura.

A Comunidade internacional e o 11 de Setembro!

Há datas em que é inevitável passar por cima, e hoje é uma delas. O mundo vira a sua atenção para a lembrança do 11 de Setembro e usa a ameaça de invasão à Síria como pano de fundo para a tensão global. Estão todos suficientemente nervosos para pensar em vítimas, andam demasiado ocupados em cerimónias para agradar a essa tal “comunidade internacional”. Mas afinal quem é ela?
É necessário esboroar para perceber onde surge este ser invisível que diz comandar tudo à distância com os seus poderes de omnipresença. Pois é, a “Comunidade Internacional” não é nada mais nada menos que uma bola de fogo que queima, mas na verdade não faz mal, mas também chateia porque ameaça estar de olho e garante ser o fiel da balança… mas nunca o é. Serve-se da comunicação social para receber e enviar mensagens, e utiliza ostensivamente o mesmo meio para se revitalizar junto das população. No fundo a “Comunidade Internacional” está para o mundo como o povo está para o estado. Lembro aquela máxima que diz que o estado é o povo, logo quem manda no estado é o povo. Isto é, a “Comunidade Internacional” é o conjunto de povos, logo…
Mas realmente a quem serve a “Comunidade Internacional”? A mesma que censura guerras em conferências de imprensa, lamenta a morte de crianças em horário nobre das televisões ou mesmo exige ações enérgicas nas páginas dos matutinos. Se olharmos para a reação dessa tal “Comunidade Internacional” ao acontecimento do 11 de Setembro o que vemos? Um jorro de críticas e lamentos, de juras de ódio e guerra, de ameaças de resposta e por aí adiante…
Verdade, observamos tudo isso, mas na realidade o que mudou? As horas infindáveis em aeroportos para cumprir novas regras de embarque? As novíssimas leis antiterrorismo que identificam seres malfeitores pelo tamanho das suas barbas? O apertar das normas de segurança sempre que um homem de “Estado” anda por perto? As perseguições em direto na TV?
Vemos, consumimos e vamo-nos deitar com uma segurança de fachada que nos embala num sono falso de que tudo ficará bem e seguro neste nosso mundo.
Então podemos concluir que a “Comunidade Internacional” é conteúdo televisivo. Cumpre-se em preencher horários nobres de televisão? Claro que sim. Esta é a verdadeira reposta. Ela, senhora poderosa, é um ator candidato ao Óscar que entra em cena a toda a hora, que serve e representa o lado bom da história em luta contra o lado negro. Mas isto tudo acontece lá dentro do mundo da informação porque na realidade não existe. Nunca vi a “Comunidade Internacional” pressionar e realizar materialmente algo. É manifestamente um ser virtual.
A criação do papão! Tudo não passa de uma figura construída por quem quer roubar bombons! Para não parecer mal é preciso contratar um senhor que venha a correr atrás de nós, que nos diga que é feio roubar, que nos puxe as orelhas sem fazer doer, e já agora que seja velhinho sem pernas para assim termos sempre a certeza que não somos apanhados.
Por isso vamos ouvir tudo aquilo que hoje a “Comunidade Internacional” vai dizer sobre este fatídico dia negro da história humana, sem nunca esquecer que quem lá ficou ou saltou daquelas janelas foram seres de carne e osso.

O que nunca te direi!

Escrevo-te num pedacinho de papel que encontrei no bolso do casaco, pedi uma lapiseira ao simpático empregado do bar, e aventuro-me a escrever-te. Estou sozinho, não há ninguém nas mesas em meu redor, não há vozes nem conversas, apenas o silêncio interrompido pelos ruídos comuns de um estabelecimento em manutenção. Passo os olhos pelo chão, pelas paredes, pelo mobiliário moderno que veste esta sala acolhedora, fecho os olhos escondidos em óculos de sol, respiro fundo e atrevo-me a despejar neste papelinho tudo o que sinto por ti!

Hoje é o dia certo para abrir o meu coração. Não quero guardar nada, preciso dessa auto-estrada para acelerar e depositar todas as ânsias no asfalto, derreter os meus pneus emocionais, parar, abastecer, voltar à louca velocidade e renovar-me a cada quilómetro percorrido.

Então aqui vai: eu quero ou melhor… queria ter-te o tempo inteiro, ser o alvo certo do teu olhar, queria ser o ponto fixo da tua intenção, desejava estar no início do teu dia, no decorrer do teu almoço, acompanhar-te ao jantar e aconchegar-te na hora de dormir. Deixa-me escolher o que vestes, e ajudar na cor da maquilhagem, levar-te ao trabalho e receber-te a altas horas já noite depois das tuas saídas com amigas. Permite-me ser o peso, o contrapeso, quem te carrega os sacos das compras e quem te ajuda a limpar a chão da casa. Permite-me fazer e refazer e voltar a fazer a tua cama porque quero ser o único a desfazê-la. Vem voar comigo, compramos uma viagem para o fim do mundo com passagem em todas as capitais da Europa. Eu não conheço Londres.

Chegou a hora de apertar a letra, o papelinho que uso para te escrever é mesmo pequenino, e não há assim tanto espaço onde possa meter tudo o que te quero dizer.

Agora perdi-me, deixa-me ver onde ia, quero… quero… desejo… desejo ouvir os teus concertos e começar a gostar das melodias lindas que ouves, que te encantam. Quero-te encantar com as minhas escolhas musicais, e impressionar-te com os meus gostos gastronómicos. Sonho com o teu olhar de admiração, queria tanto que me visses como herói, como o construtor do império que os teus pais sonharam para ti. Deixa-me ser o homem perfeito mesmo que essa perfeição que exiges seja obstinada e louca. Por ti serei o louco que me pedires porque por nós amarei o tanto que ninguém nunca conseguiu escrever. Mas deixa-me confessar-te… agora que acabei este bilhetinho, e não há mais espaço para escrever… vou devolver a caneta ao simpático senhor do café, amarrotar este amontoado de palavras… e devolvê-lo ao mundo dos segredos. Vai tudo voltar para a escuridão e eu voltarei a ser esse pássaro que não voa. Afinal isto é apenas o que sinto… mas que nunca deixará de ser aquilo que nunca te direi.

Os velhos!

O ridículo do ser humano é achar que nunca vai ser aquilo que será mesmo.
O processo de evolução do homem é demasiado simples para apelar à intervenção da ciência, isto é, nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos. Simples, básico e muito prático. Somos uma sucessão de dias e noites, sóis e luas. Isto é a nossa realidade, a nossa verdade orgânica e a ela não podemos fugir.
Em tenra idade todas as atenções naturais estão voltadas para o bebé, para a criança, depois para o adolescente complicado, mais tarde chegam os aplausos ao jovem adulto seguindo-se a atribuição da “chave da vida” ao mancebo independente. Esta é a regra, a forma organizada e estranha que a nossa sociedade moderna escolheu como caminho. Engraçado é observar as gerações cometerem o mesmo erro de forma cíclica e ridícula. Passamos o tempo a cuspir nos velhos como se eles fizessem parte de uma raça em vias de extinção. Será que a misera inteligência humana não se consegue aliar à história e perceber que eles são o nosso futuro? Apontamos o dedo como se rugas fossem doença, e doença fosse morte certa. Não perdoamos os seus erros porque nos comprometemos em demasiado com um ritmo de vida que só aceita gente jovem e dinâmica. Qual é a legitimidade de um empresário experiente em negar emprego a um ser humano da sua idade? E justificar essa recusa com:” é velho para a função”? Os modelos ocidentais instalados empurram os velhos para os cantos, oferecem, ainda uma sopa para os calarem e fecham-lhes as portas imaginárias que dão acesso ao mundo onde tudo se passa e decide. E, o mais intrigante é pensar que quem hoje toma em mãos essas decisões estará no lado de lá dentro de poucos anos.
Mas o ridículo é os novos não conseguirem perceber que estão no mesmo caminho até porque nunca houve na história ninguém que evitasse a colisão com a velhice. É uma estrada, e um dia todos chegamos lá… claro, se não houver despistes pelo caminho.

Eu e as pedras!

Hoje deixo-me ir, não penso nas coisas, não quero pensar em nada, nem nas mil responsabilidades que a vida me atribuiu ou nas obrigações que os homens e suas instituições me ofereceram à nascença. Vou sonhar que não sou nada, ninguém, vou-me reduzir à migalhinha de coisa pouca que represento neste universo de coisas grandes. Vou fechar os olhos, suster a respiração e passar despercebido. Vou ficar incolor, inodoro e completamente neutro. Quero adquirir a pretensão de um grão de areia, remeter-me à simplicidade da matéria terrena sem nunca esquecer que jamais o Homem poderá sonhar chegar à comparação possível com as pedras… afinal os calhaus inertes que nos magoam nas quedas, que nos servem como muros, casas e paredes têm simplesmente mais vida e existência que nós.

Vou pensar que elas, as pedras, sofrem com o vento, com a chuva, com o calor… com os milhões de anos que percorrem num caminho lento de erosão. Sofrem com a rotura dos mundos velhos e a chegada das humanidades novas onde os animais cobiçam dominar o planeta, e almejam virar gente para encetar a proeza de pastorear os seus irmãos.

Vou pensar que elas, as pedras, observam homens a ganhar forma, bichos a transformarem o corpo, chuvas a cair, e novamente homenzinhos a comandar exércitos, a matarem os seus pares… tiranos a surgir, a morrer e a voltar de novo, e mais tiranos, e depois ditadores, e logo de seguida salvadores, e tudo passa num pequeno ápice de segundos neste universo de milhões de anos.

Vou pensar que elas, as pedras, ficam serenas a ver o Homem construir para depois destruir, que manda prender para depois matar, para depois fazer nascer, e por fim decidir que errou em tudo e então precisa voltar a fazer de novo.

Vou pensar que elas, as pedras, vão permitir todas estas loucuras a uma raça que se julga dona de uma terra, quando no fundo a única coisa que detém é o tempo em que cá vive, e logo esse tempo que nada mais é senão uma misera passagem no calendário universal. Somos uma brisa efémera que já passou.

Vou pensar que elas, as pedras, do alto da sua humildade vão ficar a ver os pobrezinhos dos humanos julgarem que podem controlar um mundo que não é deles, nunca foi e nunca será… porque na verdade até elas, as pedras, são tão mais que nós.

 

A rigidez Germânica!

Ui ui ui… Que é tão duro o pau que nos bate nas costas mal aterramos na terra de sua senhoria e rainha senhora dona Angela. Por muito ou tanto que não se queira aquilo mexe com o nosso ser, com a nossa motivação mas sobretudo com os nossos medos. Relembro as histórias macabras de meninos do antigamente que eram esbofeteados por professorinhas recheadas de problemas de raiva… Eu senti-me o menino, medroso, com o pânico de aumentar o tom de voz, de falar fora da minha vez ou sujar o chão com migalhas. Senti-me um soldadinho de chumbo, um bonequinho de lego num mundo arrumado e organizado à força da regra fria que os dividiu e unificou.

Tu és poesia, sabias?