O silêncio dos culpados.


Alguns açoreanos foram a votos e decidiram pela maioria que ficou em silêncio. 

E porque ficaram em silêncio? Estariam amarrados ao pé da mesa? Obrigados ao recolher obrigatório? Ou simplesmente não compareceram por acharem que esse era um direito que lhes assistia? 

Questiono a mensagem que lemos de uma abstenção que grita desinteresse?
Estamos a desprezar a liberdade e os direitos que foram conquistados com sangue pelas gerações passadas. 
A questão não é nova. 

O desleixo geral aumenta de eleição em eleição. 

Nunca é pouco lembrar que há sensivelmente 50 anos o direito ao voto era reservado, e que o próprio resultado das eleições estaria muito provavelmente controlado pelo poder político. Hoje em dia a liberdade está instalada e mesmo assim pouco nos interessa. Preferimos passar um dia no sofá e não levantarmos o “traseiro” para exercer um ato cívico. 

Rejeitar este direito ainda é mais grave que deitar fora um cheque de devolução de IRS. 

O voto deveria ser obrigatório e sujeito a sanções fiscais nos casos de não cumprimento, e porquê? Naturalmente porque infelizmente por vezes é importante ensinar (e relembrar) que a liberdade não é, infelizmente, um direito adquirido e eterno. 

Sempre que permitimos que alguém escolha por nós é como se as nossas fronteiras acabassem de ser pisadas sem controlo. 

Custa-me acreditar que o meu povo deixa nas mãos de terceiros o comando dos seus interesses, e rejeito aceitar que em cada português exista um carneirinho que, por comodismo e preguiça, se sujeite aos imperativos de um pastor que por agora é brando mas que, e quem sabe um dia, se poderá transformar em porteiro do inferno. 

Tristão de Andrade 

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