Feita para brilhar.


Vejo-te ao longe como se fosses um ligeiro traço no céu, esforço o olhar, levanto a expressão, faço de tudo para confirmar que és realmente tu quem vai a passar. Vou sozinho, não posso pedir ajuda, mas os meus olhos confirmam aquilo que o meu coração tem certeza: és tu. Consigo-te quase sentir o cheiro, e se não fosse exagerar até dizia que daqui conseguia reconhecer o teu sabor. Há cabelos, jeitos, modos e tantas outras coisas que não enganam, não precisas vestir o teu casaco verde para eu saber que és tu, deixa-me confessar, conheço-te tão bem vestida como imagino nua. Já para não falar no andar majestoso, quiçá misterioso, onde apenas tu te consegues equilibrar. Eu gosto de o ver no meu sentido, mas agora dá-me a ideia que vais para lá. Vem para cá! Eu estou aqui. Fico atrevido, ganho vontade de gritar o teu nome, mas como poderia fazer-te escutar a minha voz sem ser em tom desesperado? Ganho vergonha, olho o chão, é o tudo ou nada, devo correr? As dúvidas são tantas num pedacinho de tempo que posso contar em cinco passos teus. Descuido-me e a proximidade faz-se agora longínqua, a oportunidade é um “já” que nunca se pode deixar para “depois”, os meus olhos começam a perder a tua imagem, e tu começas a ser apenas traço num céu distante onde sonhava ser eu a tua estrela cintilante.

Tristão de Andrade

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