Os velhos!

O ridículo do ser humano é achar que nunca vai ser aquilo que será mesmo.
O processo de evolução do homem é demasiado simples para apelar à intervenção da ciência, isto é, nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos. Simples, básico e muito prático. Somos uma sucessão de dias e noites, sóis e luas. Isto é a nossa realidade, a nossa verdade orgânica e a ela não podemos fugir.
Em tenra idade todas as atenções naturais estão voltadas para o bebé, para a criança, depois para o adolescente complicado, mais tarde chegam os aplausos ao jovem adulto seguindo-se a atribuição da “chave da vida” ao mancebo independente. Esta é a regra, a forma organizada e estranha que a nossa sociedade moderna escolheu como caminho. Engraçado é observar as gerações cometerem o mesmo erro de forma cíclica e ridícula. Passamos o tempo a cuspir nos velhos como se eles fizessem parte de uma raça em vias de extinção. Será que a misera inteligência humana não se consegue aliar à história e perceber que eles são o nosso futuro? Apontamos o dedo como se rugas fossem doença, e doença fosse morte certa. Não perdoamos os seus erros porque nos comprometemos em demasiado com um ritmo de vida que só aceita gente jovem e dinâmica. Qual é a legitimidade de um empresário experiente em negar emprego a um ser humano da sua idade? E justificar essa recusa com:” é velho para a função”? Os modelos ocidentais instalados empurram os velhos para os cantos, oferecem, ainda uma sopa para os calarem e fecham-lhes as portas imaginárias que dão acesso ao mundo onde tudo se passa e decide. E, o mais intrigante é pensar que quem hoje toma em mãos essas decisões estará no lado de lá dentro de poucos anos.
Mas o ridículo é os novos não conseguirem perceber que estão no mesmo caminho até porque nunca houve na história ninguém que evitasse a colisão com a velhice. É uma estrada, e um dia todos chegamos lá… claro, se não houver despistes pelo caminho.

A rigidez Germânica!

Ui ui ui… Que é tão duro o pau que nos bate nas costas mal aterramos na terra de sua senhoria e rainha senhora dona Angela. Por muito ou tanto que não se queira aquilo mexe com o nosso ser, com a nossa motivação mas sobretudo com os nossos medos. Relembro as histórias macabras de meninos do antigamente que eram esbofeteados por professorinhas recheadas de problemas de raiva… Eu senti-me o menino, medroso, com o pânico de aumentar o tom de voz, de falar fora da minha vez ou sujar o chão com migalhas. Senti-me um soldadinho de chumbo, um bonequinho de lego num mundo arrumado e organizado à força da regra fria que os dividiu e unificou.