Bacalhau à Poeta

Tudo rima nesta receita, e se for feita com a magia do AMOR ainda o sabor é mais perfeito.
Sublime. É a experiência da transcendência rumo à demência do palato.

Lava cuidadosamente pequenas batatas com casca.
Junta carinho e numa panela faz um ninho de sal e nela coloca as meninas a cozer.

Como sereias no mar. Deixa metade do seu corpo de fora, a respirar, e a outra metade a mergulhar na água escaldante.
Enquanto isso, o bacalhau, o seu amante deve cozer num outro lugar. Só em água a repousar.

Serenamente de faca afiada começa a picar cebola e alho. Dá-lhes malho e junta azeite. Um pouco de louro e que mais alguém deite salsa. Reserva esta calda para depois.

De seguida abraça-te à broa, mas da boa, daquela que faz nascer no olhar um brilho, gostosa no paladar, a broa de milho.

Mas há lá prato sem pão? Há amor sem coração?

Desfaz o corpo desta dádiva divina em mil migalhas para mais tarde deitares nas malhas do nosso rei.
Sim, agora sei que as batatas estão cozidas e o bacalhau no ponto.
Já começo a ficar tonto de tanto salivar.

Liga o forno e deixo-o ficar a queimar para aquecer.
Prepara uma travessa, sem pressa pois tudo exige tempo, e nela faz uma cama de azeite.
É um deleite ver-te cozinhar.

Atira o alho lá para dentro e sem pena ou lamento deixa-o assar no forno já quente. Fica a aguardar.
Quanto o azeite estiver a estalar, pronto para receber o rei, é hora de montar o cenário.

Mas primeiro fazemos o inventário:
Bacalhau
Batatas
Azeite (muito)
Cebola (q.b.)
Alho (com fartura)
Salsa
Louro
Broa de milho

Na travessa, onde o alho já cantou, põe o bacalhau deitado e encostado às batatas, bem coberto de broa esmigalhada, ensopada com a calda de azeite, alho, cebola, louro e salsa.

A verdadeira Valsa dos sabores.

Tudo preparado para levar ao forno por 15 minutos a 180 graus, e está perfeito.

Agora é só servir com o mesmo AMOR com que foi feito.

Bom apetite.

Tristão de Andrade