Sabes dizer que não?

Nós, os de boa alma, passamos os nossos dias à procura de consensos. Somos especialistas em tentar agradar, em promover a concórdia e a paz. “Pisamo-nos” e deixamos que nos esmaguem só e apenas para não levantarmos ondas.

Preferimos assumir os erros alheios a chamarmos guerras para a nossa porta. Somos máquinas de receios e profissionais do consentimento.

Sim. Eu, tu e nós somos assim. Quem já não é assim são os outros; os opressores, os agressores, os atrevidos, aqueles que nos empurram descaradamente contra as paredes das decisões, contra os nossos princípios mas sobretudo que nos forçam às batalhas da discussão.

Somos criados de um tal “sim” que não sabe dizer que “não”.
Criados para um fim que honra a educação.
Somos assim – resistentes – como se fossemos feitos de betão.

Tristão de Andrade

Por estes dias…

Por estes dias as manhãs têm sido diferentes, o ar que me acorda é mais leve, e o sorriso invade-me com facilidade. As palavras fluem, os pensamentos voam e o meu corpo flutua.

Acordo com um gigante apetite para o pequeno-almoço e para viver.

Por estes dias a tua existência é o motivo do meu despertar. São minutos a contar horas, e horas a contar dias.

Por estes dias quero tanto vos agarrar às duas: a ti e à felicidade.

Por estes dias as manhãs têm sido mais coloridas, as tardes mais quentes e as noites muito intensas.

E como se explica esta força que vem do nada? Que me empurra sem me magoar, e que me faz correr no teu sentido?

Por estes dias tudo tem sido assim, agora imagina o que seria se por estes dias, tivesses acordado junto a mim.

Tristão de Andrade

#tristaodeandrade #agorapensa

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Um dia a rotina sai de rota.

Sais para comprar pão e salvas alguém, pensas passear no parque e entras numa vertiginosa volta ao mundo. Acordas para viver as tuas certezas e descobres que desapareceram. No lugar da matemática aplicada que regia o teu percurso está agora uma poesia louca que parece incompreensível.

Sentes o universo ao contrário, onde tudo está de pernas para o ar.
Mas sorris. E sorris porque há uma mão que te puxa, uma intenção de descoberta, a procura do limite.

Um dia quando te preparas para pequenas aventuras descobres a magnitude do que te espera, a dimensão do que lá vem, e onde, por mais turbulenta confusão no horizonte, não há medo ou aflição que te faça recuar.
Talvez esse dia já ameace chegar.

Talvez um dia a rotina saia de rota e de forma louca transforme um hipotético e caprichoso desejo em novo recomeço.
Talvez a tua vida mude num instante que não controlas.
Tudo isto são dúvidas e coisas do “talvez” mas um dia talvez entendas que estes são os verdadeiros riscos de ires comprar pão.

Tristão de Andrade

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Gosto de ti.

Somos perfeitos na arte de complicar, e vagueamos frequentemente em auto-estradas retóricas. Derivamos inconscientemente do fácil ao difícil tornando o básico em complexo.
Quando devemos ser honestos, sinceros e directo não o somos e, ainda, recorremos a trincheiras linguísticas para escudo da nossa postura.

Somos mestres a edificar labirintos e a construir masmorras.

E para quê?

Às vezes bastava um simples “gosto de ti” e tudo ficava resolvido.

Mas, infelizmente, somos animais complexo com um gosto requintado para curvar nas rectas; e, assim, bloqueamos a oportunidade de deixar acontecer.

Na próxima vez antes de te limitares a atirar pedras ou preparar as garras para a guerra, pensa: “gosto de ti”. Começa por aí, e verás que tudo o resto deixa de ter importância. Se por acaso um dia deixares de gostar então não percas tempo e, simplesmente, parte sem te irritares.

Gosto de ti.

Tristão de Andrade

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