Perspectiva

Todos nós procuramos estar em harmonia com a consciência e em coerência com o nosso ponto de vista.
“O nosso ponto de vista”.
Vivemos numa dicotomia de sim e não, permitido ou proibido, exequível e impossível. Em termos mais comuns: carne ou peixe, praia ou serra, calor ou frio, esquerda ou direita.
Estas são as nossas questões primárias, e por preguiça gostamos de resumir tudo à escolha. A eterna dúvida de ficar ou partir, dar ou tirar, oferecer ou exigir.
Reclamamos da falta de capacidade da adivinhação o que nos obriga, quase sempre, ao exercício da vidência nas escolhas que efetuamos.
-“Aí se eu soubesse que ia ser assim” – murmuramos quando corre mal.
-“Eu sentia que ia correr bem” – atiramos nos momentos de glória.
São estas alterações que nos comandam o dia-a-dia, pormenores de escolha, ações e reações.
A linguagem das máquinas está baseada em código binário (0 e 1) tal como a nossa mente. Tudo o que surge depois são ramificações ou exclusões da escolha primária, isto é, probabilidades.
Assim questiono: se me convidares para jantar o que devo responder?
-“Sim, quero muito”; “não, não devo”; “não posso”; “impossível” ou “vou pensar nisso”?
Provavelmente não rejeito se a vontade for clara para assim excluir a viabilidade de recusar. Em outras palavras usarei a negação para assumir um grande SIM.
Se eventualmente o desejo for tímido irei confirmar com um grande SIM que vai ser impossível.
Parece confuso mas não é, e na verdade tudo isto até pode ser a prova de que basta o SIM para dizer que NÃO a tudo. Além de que há peixe que sabe a carne, praia com serra na costa, locais frios onde faz muito calor e direita que é esquerda. Há 6 que na realidade são 9, e 10 que parecem 0,1.
Tudo depende do ponto de vista. E, o que forma o ponto de vista?
A posição, a temperatura, a educação, a moral, a espiritualidade, a cultura e o amor.

Tristão de Andrade

Raríssimas? Nada de Raro. Tudo normal.

Foi com moderada indignação que recebi a notícia que envolve a Raríssimas. Não me surpreende, e pelo contrário até suspeito que, infelizmente, seja uma prática comum no seio das associações.
Vivemos um período de cargos, estatutos e lugares. Ser presidente de alguma coisa é meio caminho para usufruir de cartão de crédito, viatura oficial e despesas de representação.
A generosidade dos portugueses esbarra frequentemente na ingratidão de alguns. Os números 707 multiplicam-se garantindo apoio às vítimas, e ao valor acrescentado surge sempre associado o IVA. Ora se o IVA é imposto ao consumo será que alguém justifica porque é aplicado às doações de solidariedade?

Mas voltando às Associações.

Os movimentos de associativismo são fundamentais na sociedade e responsáveis pela defesa de múltiplos interesses. Motores da voz popular e representações importantes junto da tutela. Há associações honestas, com gente leal e interessada no bem comum. Mas também existem associações que são micro-universos de influências, antecâmaras de “lobis” e embriões de poder. Em casos mais flagrantes escolas de corrupção.
Ninguém entra na alta esfera da política sem antes passar pela gestão de uma associação, fundação ou instituto.
A associação, como tantas outras ideias sociais, é fundamental mas deve servir a população, ser gerida em benefício da própria e não ser usada como instrumento de ascensão pessoal.
Não vamos agora desatar a fiscalizar todas as associações, mas há umas que merecem mais atenção que outras nomeadamente aquelas que recebem dinheiro dos contribuintes.
Por tudo isto a Rarissimas, infelizmente para aqueles que dependem dela, não é caso raro no panorama Nacional.

Tristão de Andrade

Isto (também) é a minha cidade…

O meu silêncio
é o barulho da cidade,
o trinar dos velhos carros,
nas vozes do povo
a mistura das gentes
em idiomas trocados.
São turistas e convidados
em acesa discussão,
é gente atrapalhada,
à toa,
a pisar o chão de Lisboa.

Isto é a minha cidade

aquela que não descansa
e acorda a olhar o Tejo,
atlântico que se amansa
nas águas que eu invejo

é a cidade da esperança
que não me viu nascer,
cá cheguei criança
à procura de crescer.

Minha mãe de adopção,
ó Lisboa tão querida
outra não era solução
para cidade da minha vida.

Tristão de Andrade

Jerusalém não é de ninguém. É de todos.


A decisão de Donald Trump em mudar a embaixada americana para Jerusalém é uma aberração no plano diplomático internacional. Esta postura reconhece unilateralmente a cidade santa como a capital de Israel.
Mas onde ficam os muçulmanos, os judeus e os cristãos?
Fico curioso para perceber como vai o “Cowboy” equilibrar a balança de interesses.
O mundo em geral e o universo muçulmano em particular, com vastíssimos interesses económico-políticos para os norte americanos, não concordam com esta decisão.

Trump mandou alguém meter a mão no vespeiro. Manda sempre, nunca mete a dele, e a única coisa que consegue fazer com as suas próprias mãozinhas é escrever cobardemente, e atrás de um monitor, os seus twitters inflamados.

Quer ficar na história a qualquer preço mesmo que esta decisão de “casino” lhe custe o cognome de “o idiota”.
Os Estados Unidos perdem a liderança internacional que assumiram após a segunda guerra mundial simplesmente por incompetência.
Os moderados – judeus, muçulmanos e cristãos – preparam-se para o que aí vem. Primeiro o caos, depois a morte e por fim a bonança. Mas isso será já num tempo de esperança onde não há lugar para “Trumps”.

Tristão de Andrade

Infernos e diabos

É perverso viver com tostões e ver os ladrões banharem-se em ouro. Receber o estouro das contas, e pagar as coisas tontas que alguém nos impingiu.
Gente que fez a “merda” e fugiu.
– Agarra que é ladrão, diabo que atira a pedra e esconde a mão não escapa atrás do colarinho. Um dia acaba na prisão com a cabeça cortada no pelourinho.

Tristão de Andrade

Foto – Fonte NET