Porta Aberta.

Nunca me canso de dizer o quanto gosto e preciso de escrever com a porta aberta.

Eu sei que esta é a forma certa para percorrer o mundo dos sentimentos, das ideias e da vida. Pela janela deixo entrar a luz, uma ligeira corrente de ar e em troca liberto por lá o meu olhar que só termina no infinito.

Deixo sempre a porta aberta, convido-te a entrar, casa pequena que aperta mas nem assim a vou fechar. Peço-te que tragas as experiências, as tuas raivas, os dias de sol, as chuvas e as saraivas.

Eu aprendo contigo, tu cresces comigo; ensina-me onde fica o sul que eu logo te aponto o norte. E como me fazes sentir mais forte!

Assim vou escrevendo sem sair do meu lugar, sereno na minha aventura, e à espera da tua visita porque quando estás tudo é uma verdadeira descoberta.

Entendes agora porque só sei escrever de porta aberta?

Tristão de Andrade

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Agricultura do amor

Semeia quando fores a passar que eu sou as pernas secas que não conseguem parar de crescer na tua direção, as frases confusas que nunca queres organizar, e as palavras malucas que invento só para te dizer e explicar que o amor é tudo o que nós quisermos. Natureza estranha que edifica o monstro cruel em paraíso colorido. Deixa lá as horas, esquece a agenda apertada, hoje é tudo ou nada, vamos comprar um pedacinho de loucura à rua dos Prazeres, encher os mistérios da vida com razões que nunca ninguém quis explicar ou compreender, e no final da noite, ao deitar, reconstruímos com poesia a casinha de bonecas que sempre sonhaste ter. Fica assim; apática, serena, em moldes de frustração com tinta fresca a correr pelas paredes do teu coração. Aventura-te, aceita ordens de uma voz interior que só tu consegues escutar, diz-lhe que sim, segue-a, e descobrirás o teu caminho. Porque esperas? Agarra numa caneta, pincel, lápis ou cinzel e mãos à obra, revela-te e deixa o universo entrar em ti, já disse o poeta nos dias de ontem:” mostra a tua humildade no quanto permites que o mundo te conheça. Entrega-te”. Cria e recria a arte que tens e transportas, reconhece os valores que multiplicas, acredita-te na renovação dos bons sentimentos. E, se nos inícios tudo te parecer feio e descomposto compreende que o corpo já tens tu, e só te falta acrescentar sal e calor de Agosto. Eu cresci assim, e preciso que tu cresças comigo para juntos sermos maiores, mais artísticos, mais poetas. Demoras? Escreve cada palavra como se tratassem de poesias completas, lê cada linha com o sentimento de teres devorado um romance de mil páginas, e toma cada letra como se fosse tua, porque na verdade; é. Sabes? “Mesmo que te julgues uma frase sem sentido acredita que serás sempre a mais bela das poesias”. Escreve, escreve-te e escreve-me, sim, aceita-te na cor, forma e tamanho, e quanto ao resto pensa apenas que tudo não passa de crônicas medíocres de revistinhas de cordel. Tu és poesia por isso cuida, faz chover, acarinha e colhe. Tudo aquilo que plantares no teu peito crescerá na força do teu coração, e quando semeares em peito alheio verás o milagre da multiplicação. Por fim, quero que saibas e reconheças que és terreno fértil onde juntos acabámos de plantar a semente mais maravilhosa que o mundo dos Homens conhece: a poesia.

Tristão de Andrade

Foto – Fonte net

Sabes dizer que não?

Nós, os de boa alma, passamos os nossos dias à procura de consensos. Somos especialistas em tentar agradar, em promover a concórdia e a paz. “Pisamo-nos” e deixamos que nos esmaguem só e apenas para não levantarmos ondas.

Preferimos assumir os erros alheios a chamarmos guerras para a nossa porta. Somos máquinas de receios e profissionais do consentimento.

Sim. Eu, tu e nós somos assim. Quem já não é assim são os outros; os opressores, os agressores, os atrevidos, aqueles que nos empurram descaradamente contra as paredes das decisões, contra os nossos princípios mas sobretudo que nos forçam às batalhas da discussão.

Somos criados de um tal “sim” que não sabe dizer que “não”.
Criados para um fim que honra a educação.
Somos assim – resistentes – como se fossemos feitos de betão.

Tristão de Andrade

Por estes dias…

Por estes dias as manhãs têm sido diferentes, o ar que me acorda é mais leve, e o sorriso invade-me com facilidade. As palavras fluem, os pensamentos voam e o meu corpo flutua.

Acordo com um gigante apetite para o pequeno-almoço e para viver.

Por estes dias a tua existência é o motivo do meu despertar. São minutos a contar horas, e horas a contar dias.

Por estes dias quero tanto vos agarrar às duas: a ti e à felicidade.

Por estes dias as manhãs têm sido mais coloridas, as tardes mais quentes e as noites muito intensas.

E como se explica esta força que vem do nada? Que me empurra sem me magoar, e que me faz correr no teu sentido?

Por estes dias tudo tem sido assim, agora imagina o que seria se por estes dias, tivesses acordado junto a mim.

Tristão de Andrade

#tristaodeandrade #agorapensa

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Um dia a rotina sai de rota.

Sais para comprar pão e salvas alguém, pensas passear no parque e entras numa vertiginosa volta ao mundo. Acordas para viver as tuas certezas e descobres que desapareceram. No lugar da matemática aplicada que regia o teu percurso está agora uma poesia louca que parece incompreensível.

Sentes o universo ao contrário, onde tudo está de pernas para o ar.
Mas sorris. E sorris porque há uma mão que te puxa, uma intenção de descoberta, a procura do limite.

Um dia quando te preparas para pequenas aventuras descobres a magnitude do que te espera, a dimensão do que lá vem, e onde, por mais turbulenta confusão no horizonte, não há medo ou aflição que te faça recuar.
Talvez esse dia já ameace chegar.

Talvez um dia a rotina saia de rota e de forma louca transforme um hipotético e caprichoso desejo em novo recomeço.
Talvez a tua vida mude num instante que não controlas.
Tudo isto são dúvidas e coisas do “talvez” mas um dia talvez entendas que estes são os verdadeiros riscos de ires comprar pão.

Tristão de Andrade

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Gosto de ti.

Somos perfeitos na arte de complicar, e vagueamos frequentemente em auto-estradas retóricas. Derivamos inconscientemente do fácil ao difícil tornando o básico em complexo.
Quando devemos ser honestos, sinceros e directo não o somos e, ainda, recorremos a trincheiras linguísticas para escudo da nossa postura.

Somos mestres a edificar labirintos e a construir masmorras.

E para quê?

Às vezes bastava um simples “gosto de ti” e tudo ficava resolvido.

Mas, infelizmente, somos animais complexo com um gosto requintado para curvar nas rectas; e, assim, bloqueamos a oportunidade de deixar acontecer.

Na próxima vez antes de te limitares a atirar pedras ou preparar as garras para a guerra, pensa: “gosto de ti”. Começa por aí, e verás que tudo o resto deixa de ter importância. Se por acaso um dia deixares de gostar então não percas tempo e, simplesmente, parte sem te irritares.

Gosto de ti.

Tristão de Andrade

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