Raríssimas? Nada de Raro. Tudo normal.

Foi com moderada indignação que recebi a notícia que envolve a Raríssimas. Não me surpreende, e pelo contrário até suspeito que, infelizmente, seja uma prática comum no seio das associações.
Vivemos um período de cargos, estatutos e lugares. Ser presidente de alguma coisa é meio caminho para usufruir de cartão de crédito, viatura oficial e despesas de representação.
A generosidade dos portugueses esbarra frequentemente na ingratidão de alguns. Os números 707 multiplicam-se garantindo apoio às vítimas, e ao valor acrescentado surge sempre associado o IVA. Ora se o IVA é imposto ao consumo será que alguém justifica porque é aplicado às doações de solidariedade?

Mas voltando às Associações.

Os movimentos de associativismo são fundamentais na sociedade e responsáveis pela defesa de múltiplos interesses. Motores da voz popular e representações importantes junto da tutela. Há associações honestas, com gente leal e interessada no bem comum. Mas também existem associações que são micro-universos de influências, antecâmaras de “lobis” e embriões de poder. Em casos mais flagrantes escolas de corrupção.
Ninguém entra na alta esfera da política sem antes passar pela gestão de uma associação, fundação ou instituto.
A associação, como tantas outras ideias sociais, é fundamental mas deve servir a população, ser gerida em benefício da própria e não ser usada como instrumento de ascensão pessoal.
Não vamos agora desatar a fiscalizar todas as associações, mas há umas que merecem mais atenção que outras nomeadamente aquelas que recebem dinheiro dos contribuintes.
Por tudo isto a Rarissimas, infelizmente para aqueles que dependem dela, não é caso raro no panorama Nacional.

Tristão de Andrade

Isto (também) é a minha cidade…

O meu silêncio
é o barulho da cidade,
o trinar dos velhos carros,
nas vozes do povo
a mistura das gentes
em idiomas trocados.
São turistas e convidados
em acesa discussão,
é gente atrapalhada,
à toa,
a pisar o chão de Lisboa.

Isto é a minha cidade

aquela que não descansa
e acorda a olhar o Tejo,
atlântico que se amansa
nas águas que eu invejo

é a cidade da esperança
que não me viu nascer,
cá cheguei criança
à procura de crescer.

Minha mãe de adopção,
ó Lisboa tão querida
outra não era solução
para cidade da minha vida.

Tristão de Andrade

Jerusalém não é de ninguém. É de todos.


A decisão de Donald Trump em mudar a embaixada americana para Jerusalém é uma aberração no plano diplomático internacional. Esta postura reconhece unilateralmente a cidade santa como a capital de Israel.
Mas onde ficam os muçulmanos, os judeus e os cristãos?
Fico curioso para perceber como vai o “Cowboy” equilibrar a balança de interesses.
O mundo em geral e o universo muçulmano em particular, com vastíssimos interesses económico-políticos para os norte americanos, não concordam com esta decisão.

Trump mandou alguém meter a mão no vespeiro. Manda sempre, nunca mete a dele, e a única coisa que consegue fazer com as suas próprias mãozinhas é escrever cobardemente, e atrás de um monitor, os seus twitters inflamados.

Quer ficar na história a qualquer preço mesmo que esta decisão de “casino” lhe custe o cognome de “o idiota”.
Os Estados Unidos perdem a liderança internacional que assumiram após a segunda guerra mundial simplesmente por incompetência.
Os moderados – judeus, muçulmanos e cristãos – preparam-se para o que aí vem. Primeiro o caos, depois a morte e por fim a bonança. Mas isso será já num tempo de esperança onde não há lugar para “Trumps”.

Tristão de Andrade

Infernos e diabos

É perverso viver com tostões e ver os ladrões banharem-se em ouro. Receber o estouro das contas, e pagar as coisas tontas que alguém nos impingiu.
Gente que fez a “merda” e fugiu.
– Agarra que é ladrão, diabo que atira a pedra e esconde a mão não escapa atrás do colarinho. Um dia acaba na prisão com a cabeça cortada no pelourinho.

Tristão de Andrade

Foto – Fonte NET

Somos feitos de água.

Já não me lembro de chover.
O tempo fez esquecer a sensação de viver com as pingas da chuva.
O sol instalou-se como uma luva difícil de tirar.
Por estes dias água? Só no mar.
Está tudo seco. As ribeiras, os rios e as torneiras mas sobretudo a mentalidade.
Há gente que deixou sempre correr à vontade o bem que julgava eterno.
Atenção: o mundo sem água é o inferno.
Beba água sem moderação mas consuma com prudência.

Tristão de Andrade

Há fogo que não deixa de arder…


A floresta em Portugal esteve a arder. Os fogos foram impiedosos com o território, e os criminosos ainda andam a monte. Até ao momento não há culpados, só vítimas. Encontrou-se a causa no calor, no vento e nos fenómenos atmosféricos. Honraram-se os bombeiros, colectou-se um camião de coisas e dinheiro, e jogou-se à bola. Falta ainda apagar o fogo que continua a queimar no peito daqueles que viram as suas famílias, e as suas casas arderem.

Tristão de Andrade

Foto – Fonte Net

P**** & Vinho verde

Há uns dias atrás fiquei preocupado e revoltado com as palavras do senhor Erdogan quando se dirigia aos holandeses como defensores das políticas nazis. Achei profundamente ofensivo por reconhecer ao povo dos Países Baixos os princípios mais nobres das civilizações da atualidade.
Descubro agora que o líder turco se deveria estar a referir a Jeroen Dijsselbloem.
É intolerável (mas revelador) que um líder europeu, e pouco tempo após o dia mundial da mulher, use a expressão “gastar dinheiro com copos e mulheres” para expressar a visão que tem nós.
Na nossa Europa não há espaço para pessoas como ele; sem solidariedade, sem espírito unificador mas sobretudo sem respeito.
Já agora, e para atenuar a ignorância do senhor Jeroen, a expressão exata do seu pensamento é: Hoeren en verde wijn.

Tristão de Andrade

Foto – Fonte Net

Dia de São Nicolau Breyner

Hoje é dia de São Nicolau Breyner e para sempre será.

Faz precisamente um ano que partiu o poeta Nicolau Breyner. Digo poeta porque homem nenhum se consegue destacar e revelar tão abrangente sem que o faço com o recurso à poesia, sem usar os mecanismos da arte plena e pura para dividir a virtude com os outros.
Sempre nos habituámos a partilhar a vida com ele, a experimentar emoções mas sobretudo a rir. Ele fazia-nos rir. Rir de si, de nós, dos vizinhos, dos outros e de todos.
Ensinou-nos a rir sem ofensa e especialmente a rirmos juntos porque rir é o primeiro passo para a união, e para a paz.

São Nicolau Breyner era um homem de paz.

Tristao de Andrade

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www.discurso.pt

Foto – Fonte Net

Tu és poesia, sabias?