Isto (também) é a minha cidade…

O meu silêncio
é o barulho da cidade,
o trinar dos velhos carros,
nas vozes do povo
a mistura das gentes
em idiomas trocados.
São turistas e convidados
em acesa discussão,
é gente atrapalhada,
à toa,
a pisar o chão de Lisboa.

Isto é a minha cidade

aquela que não descansa
e acorda a olhar o Tejo,
atlântico que se amansa
nas águas que eu invejo

é a cidade da esperança
que não me viu nascer,
cá cheguei criança
à procura de crescer.

Minha mãe de adopção,
ó Lisboa tão querida
outra não era solução
para cidade da minha vida.

Tristão de Andrade

Jerusalém não é de ninguém. É de todos.


A decisão de Donald Trump em mudar a embaixada americana para Jerusalém é uma aberração no plano diplomático internacional. Esta postura reconhece unilateralmente a cidade santa como a capital de Israel.
Mas onde ficam os muçulmanos, os judeus e os cristãos?
Fico curioso para perceber como vai o “Cowboy” equilibrar a balança de interesses.
O mundo em geral e o universo muçulmano em particular, com vastíssimos interesses económico-políticos para os norte americanos, não concordam com esta decisão.

Trump mandou alguém meter a mão no vespeiro. Manda sempre, nunca mete a dele, e a única coisa que consegue fazer com as suas próprias mãozinhas é escrever cobardemente, e atrás de um monitor, os seus twitters inflamados.

Quer ficar na história a qualquer preço mesmo que esta decisão de “casino” lhe custe o cognome de “o idiota”.
Os Estados Unidos perdem a liderança internacional que assumiram após a segunda guerra mundial simplesmente por incompetência.
Os moderados – judeus, muçulmanos e cristãos – preparam-se para o que aí vem. Primeiro o caos, depois a morte e por fim a bonança. Mas isso será já num tempo de esperança onde não há lugar para “Trumps”.

Tristão de Andrade

Infernos e diabos

É perverso viver com tostões e ver os ladrões banharem-se em ouro. Receber o estouro das contas, e pagar as coisas tontas que alguém nos impingiu.
Gente que fez a “merda” e fugiu.
– Agarra que é ladrão, diabo que atira a pedra e esconde a mão não escapa atrás do colarinho. Um dia acaba na prisão com a cabeça cortada no pelourinho.

Tristão de Andrade

Foto – Fonte NET

Somos feitos de água.

Já não me lembro de chover.
O tempo fez esquecer a sensação de viver com as pingas da chuva.
O sol instalou-se como uma luva difícil de tirar.
Por estes dias água? Só no mar.
Está tudo seco. As ribeiras, os rios e as torneiras mas sobretudo a mentalidade.
Há gente que deixou sempre correr à vontade o bem que julgava eterno.
Atenção: o mundo sem água é o inferno.
Beba água sem moderação mas consuma com prudência.

Tristão de Andrade

Há fogo que não deixa de arder…


A floresta em Portugal esteve a arder. Os fogos foram impiedosos com o território, e os criminosos ainda andam a monte. Até ao momento não há culpados, só vítimas. Encontrou-se a causa no calor, no vento e nos fenómenos atmosféricos. Honraram-se os bombeiros, colectou-se um camião de coisas e dinheiro, e jogou-se à bola. Falta ainda apagar o fogo que continua a queimar no peito daqueles que viram as suas famílias, e as suas casas arderem.

Tristão de Andrade

Foto – Fonte Net

P**** & Vinho verde

Há uns dias atrás fiquei preocupado e revoltado com as palavras do senhor Erdogan quando se dirigia aos holandeses como defensores das políticas nazis. Achei profundamente ofensivo por reconhecer ao povo dos Países Baixos os princípios mais nobres das civilizações da atualidade.
Descubro agora que o líder turco se deveria estar a referir a Jeroen Dijsselbloem.
É intolerável (mas revelador) que um líder europeu, e pouco tempo após o dia mundial da mulher, use a expressão “gastar dinheiro com copos e mulheres” para expressar a visão que tem nós.
Na nossa Europa não há espaço para pessoas como ele; sem solidariedade, sem espírito unificador mas sobretudo sem respeito.
Já agora, e para atenuar a ignorância do senhor Jeroen, a expressão exata do seu pensamento é: Hoeren en verde wijn.

Tristão de Andrade

Foto – Fonte Net

Dia de São Nicolau Breyner

Hoje é dia de São Nicolau Breyner e para sempre será.

Faz precisamente um ano que partiu o poeta Nicolau Breyner. Digo poeta porque homem nenhum se consegue destacar e revelar tão abrangente sem que o faço com o recurso à poesia, sem usar os mecanismos da arte plena e pura para dividir a virtude com os outros.
Sempre nos habituámos a partilhar a vida com ele, a experimentar emoções mas sobretudo a rir. Ele fazia-nos rir. Rir de si, de nós, dos vizinhos, dos outros e de todos.
Ensinou-nos a rir sem ofensa e especialmente a rirmos juntos porque rir é o primeiro passo para a união, e para a paz.

São Nicolau Breyner era um homem de paz.

Tristao de Andrade

www.facebook.com/tristaodeandrade
www.discurso.pt

Foto – Fonte Net

Plano Mr. Trump

Parece inevitável a não eleição do senhor Trump para a presidência dos Estados Unidos da América, e assim passa a ser miragem que um grupo de Cowboys venha a tomar de assalto a Casa Branca. 
É óbvio que as eleições americanas nos afetam em todos os sentidos ainda que a maioria do seu povo desconheça a nossa existência.
Não podemos permanecer indiferentes aos acontecimentos dos últimos dias, às declarações do candidato Republicano mas sobretudo às promessas. Lembro a ambição de construir muros, expulsar pessoas e promover alianças duvidosas. Na base incomoda a proliferação do seu ar cowboy bem ao estilo: ” I will do it no matter what, why and when”. 
As declarações inflamadas daquele septuagenário mulherengo parecem ir ao encontro das nossas necessidades. Mister Trump é exímio em dizer cirurgicamente tudo aquilo que o povo não quer ouvir e simultaneamente não consegue ignorar despertando em nós revolta e, sobretudo, atenção sobre ele. 
Estou convencido que a derrota eleitoral irá tornar este candidato num homem ainda mais rico, basta recordar todas as horas de publicidade e visibilidade gratuita que tem vindo a usufruir. Atualmente a sua imagem estará no topo das personalidades mais reconhecidas em todo o mundo. E, como diz o ditado:” mal ou bem importante é que falem”. 
Talvez tudo seja um esquema ao bom estilo de Hollywood onde no final o objetivo não é quem ganha as eleições mas antes quem leva os milhões. 

Tristão de Andrade 

Tu és poesia, sabias?